Horizontina 60 anos - Frederico Logemann e a Colonização de Horizontina.

Na foto: Frederico, Nely  Dahne e Jorge Antonio Dahne Logemann

Na sequencia do texto anterior, temos a dizer que a Administração inicial da Colônia Sta. Rosa coube ao engenheiro Otávio Campos Monteiro, encarregado da direção dos trabalhos. A área foi dividida em colônias de 25 hectares e vendidas ao preço de 500 mil réis. Aos nacionais foram oferecidas condições de comprarem a terra com uma entrada de 10% e o restante a ser pago quando pudessem. Os anos foram passando e as dívidas foram saldadas.

Otávio Campos Monteiro, conduziu o processo de formação da colônia até 1916, quando foi substituído por João de Abreu Dahne, responsável pela administração até dezembro de 1930. O período da sua administração foi próspero e de um grande surto de desenvolvimento. Seguiram-se posteriormente, na administração da colônia e da Comissão de Terras, os senhores Arthur Ambros, irmão do médico horizontinense Ulríco Ambros, Caio Escovar, Camilo Maciel e Carlos Schilling.

O surto de progresso da colônia foi sensível. Afluíram logo após a organização, grandes levas de colonos, atraídos pela fertilidade da terra, pelo plano racional de aquisição e pelos preços módicos. Assim chegaram colonos alemães e italianos, vindos das chamadas “Colônias Velhas”, zonas dos arredores dos rios : Sínos, Jacuí e Taquari.

Segundo relatório da Comissão de Terras e Colonização, em 1916, foram vendidos 1.233 lotes e a população da Colônia era de 873 famílias, perfazendo um total de 4.340 habitantes. Dessas famílias, 807 eram nacionais, 35 italianas e de origem, 16 alemãs e de origem e 15 de diversas nacionalidades. Além do prédio da Comissão de Terras, existiam nove prédios de madeira e cinco em construção.

A colonização de Horizontina foi uma iniciativa do engenheiro Frederico Jorge Logemann, que recebeu as terras onde se localiza a sede, em troca de um pagamento do governo pela prestação de serviços. Na correspondência de João Dahne, chefe da Comissão de Terras de Santa Rosa, consta essa referência

“Junto vos remeto a planta e demais documentos referentes a uma área de terras de 16.286.372.000 metros quadrados, situada nesta colônia e demarcadas para pagamento a Rosa e Logemann de serviços feitos na ponte sobre o rio Ijuhy Grande. Essa medição foi feita em virtude de ordem a essa Directoria”.

A referida propriedade foi registrada pelos sócios Alexande Martins Rosa e Frederico Jorge Logemann, no cartório de registro de imóveis de Santo Ângelo em 10 de abril de 1928, sob número 5215.

Durante todo o século passado e até início deste, milhares de alemães emigraram para as Américas, procurando vida melhor do que na Alemanha. Uma boa parte deles se dirigiu ao Rio Grande do Sul. Entre os imigrantes de origem pobre, que migravam pela simples possibilidade de sobreviver em condições melhores, estavam muitos jovens com boa formação técnica e com forte espírito aventureiro. O Engenheiro Fredrico Jorge Logemann, certamente era um deles. Nascido em Bremenn, em 1884, aportou pela primeira vez no Brasil, em 1912, a bordo de um navio da Marinha Alemã. Gostou do país e pouco mais tarde, estava aventurando-se pelo interior do Rio Grande do Sul, trabalhando como Engenheiro na construção de estradas e na medição de terras, na região noroeste.

No próximo texto continuaremos falando da nossa colonização, dos primeiros moradores e de Fredrico Jorge Logeman...